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vazadores [2002]

intervalo

utopia modernista, estado de suspensão, atravessamentos, corredor, livre trânsito, metrópole, parque, transparência, agente–articulador, caixilho de ferro, vidro, espaço de negociação, curadoria, diretoria, cadeado, condicionamento, instância dilatadora, câmera de segurança, monitor de vídeo, 2 cadeiras, transmissão em tempo real, agente de segurança, rádio comunicador, mesa, gravador VHS, corte, grade de aço carbono, agente–ativador

25ª Bienal de São Paulo
Pavilhão das Indústrias/ São Paulo

o registro da arquitetura é dimensão fundante para vazadores, uma vez que o desenho do Pavilhão das Indústrias [projetado por Oscar Niemeyer] reitera a utopia modernista da integração de espaços e enfatiza a idealizada relação interior-exterior. baseado nisto, o trabalho pretendeu a caracterização de dois atravessamentos: um tangível, construído no andar térreo diretamente sobre a principal fachada do edifício, e outro simbólico – planejado para o interior do espaço expositivo. o primeiro se materializou através de uma estrutura composta por ferro e vidro, idênticos aos utilizados na construção original, e sugeria, na mimese com a arquitetura, uma reflexão quanto aos limites da prática artística inserida no corpo da cidade. a estrutura se assemelhava a um corredor e trazia em cada extremidade uma folha móvel de vidro – sem fechadura, trancas, ou maçanetas. concebido para o livre trânsito de pessoas em meio a uma mostra paga, mas sem indicar qualquer sinalização de tal passagem, o trabalho convocou um real enfrentamento entre a Bienal e a cidade e suas representações. a segunda parte da ação [não produzida] previa um corte de 2,5 × 5 metros vazando a laje que separa o 2º andar do térreo, cuja abertura receberia uma grade alveolar de aço carbono.
enquanto o primeiro atravessamento vinculava-se às percepções do visitante, em uma experiência conectada às projeções e limitações do próprio corpo, o segundo propunha um pensamento ativo quanto aos processos de ocupação e configuração espacial. vazadores trouxe, na qualidade do experimento, a desierarquização da ideia de obra, site e lugar, e, ainda, a desarticulação dos códigos que estruturavam o local da ação.