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detetor de ausências [1994]

intervenção

dinâmicas de revogação, eixo de cruzamento, metrópole, potência, desenho, projetor Sperry [modelo 1941], brigada militar, caminhão, estrada, carta, espaço de negociação, lâmpada Hdmi, agente–desencadeador, guindaste, estrutura tubular metálica, estabilizador, cabo elétrico, fluxo, espelho parabólico, ativação luminosa, tela de proteção, sistema de trocas, duração, campo de penumbra, agente–ativador

dispositivo luminoso: Renato Cury

Projeto Arte Cidade
Vale do Anhangabaú/
São Paulo

os efeitos decorrentes dos processos de desqualificação do espaço urbano e suas implicações nas relações que vivemos em meio a tal ambiente apresentam-se como as principais referências inscritas neste trabalho realizado no Vale do Anhangabaú – região central de São Paulo, em meados dos anos 1990.    frente à crescente ‘desterritorialização’ experimentada nas metrópoles – que desdobra o conceito de ‘lugar’ e anuncia a ocorrência de relações intersubjetivas que muitas vezes prescindem da cidade como suporte material –, um dispositivo luminoso foi instalado no eixo visível de um intenso cruzamento entre humanos e máquinas, para abordar uma das mais relevantes experiências relacionadas aos habitantes das grandes cidades: a constante oscilação vivida no interior de um intervalo balizado por noções de identidade e anonimato.

o projeto previu a instalação de dois grandes projetores militares [semelhantes aos utilizados durante a 2ª Grande Guerra] sobre duas torres de 13 metros de altura, montadas em ambos os lados do Viaduto do Chá.    posicionados de frente para o mesmo, logo acima do nível da calçada, os projetores lançavam potentes feixes de luz paralelos e não coincidentes [com 12.000 watts e 1,5 metros de diâmetro], que atingiam perpendicularmente o fluxo de pedestres.    ao cruzarem os feixes, as pessoas tinham metade de seu corpo intensamente iluminada, enquanto a outra metade se esvaía por entre os edifícios, em indefinida sombra – sem que esta pudesse ser evidenciada ou registrada por qualquer anteparo.

a intensidade da luz potencializa a velocidade vivida nas metrópoles.    ela que nos permite ver e identificar, caracterizava com este trabalho uma espécie de ‘anulação’.    pois, ao atravessar o cilindro luminoso e ter sua passagem anunciada, cada corpo apontava também para uma situação de apagamento… com o não registro de sua sombra a indicar a impossibilidade da confirmação de sua presença.