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futuro do pretérito [2010]

videoinstalação

painel de madeira autoportante, prisma de espuma, projetor de vídeo, sistema de som

Museu Nacional/ Brasília

resultante de uma pesquisa* interessada em analisar a dimensão simbólica da espacialidade urbana de Brasília, tanto no interior do Plano Piloto, quanto em seus arredores, a videoinstalação ocupou todo o mezanino do Museu Nacional, e se organizou ao redor de duas áreas de projeção.    enquanto a primeira trazia imagens e som direto captados no Plano Piloto, a outra se aproximava [também com imagens e sons] de seu entorno e de algumas das cidades-satélite.    os vídeos foram projetados separadamente, cada qual sobre um grande painel de madeira autoportante, e exibidos em loop.

o interesse incidiu sobre as correspondências verificadas entre as formas de representação materializadas na arquitetura, e os processos de produção de espaços ‘ativados’ pela sociedade…    como desdobramento, considerou-se a possibilidade de uma reflexão quanto aos alcances e conteúdos da própria prática arquitetônica, quando nos referimos às implicações sociais inerentes a seus resultados.

partiu-se de um ponto mais ou menos óbvio, o de que há uma relação
entre a prática arquitetônica e a dimensão social onde tal prática se inscreve, por entender que pouco discutimos os aspectos simbólicos do desempenho espacial, ou seu conteúdo social.    analisados não só em função da significação individual ou coletiva que tal desempenho pode estabelecer, mas principalmente por seus resultados revelarem quais papéis, hierarquias sociais, visões de mundo, interesses políticos, estão nele plasmados.

sabemos que o espaço [entendido como linguagem autônoma no campo da arquitetura] pode ser conceituado como dimensão criadora e reguladora de comportamentos.    entretanto, sabemos também o quanto ele pode ‘refletir’ e reiterar certos padrões de sociedade, e como esta pode ter sua expressão modulada no que se refere ao uso e a exploração dos espaços das cidades.

passados 50 anos desde a inauguração de Brasília, quase nada do ponto de vista histórico, percebemos que a cidade sinaliza cada vez mais as evidências de um embate no campo relacional…    quando analisamos certos aspectos de sua espacialidade. dimensão esta que apresenta, de um lado, a manutenção das projeções do espaço arquitetônico concebido por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, e de outro a sensação de uma certa ‘acomodação’, desses mesmos espaços em relação à sociedade que os usa e pratica.

a proposta se apoiou em uma aproximação a dois aspectos fundantes ligados ao conceito de patrimônio:   a importância do passado [valor histórico] e sua adequação ao momento presente [valor de uso].
   tal conceito está conectado também à ideia de constituição de um capital simbólico, passível de ser percebido e reconhecido pelos diversos atores sociais de uma determinada comunidade.    futuro do pretérito avançou igualmente sobre uma possível correspondência existente entre as ações realizadas ‘oficialmente’ no interior desses núcleos urbanos, e aquelas provocadas por seus mais anônimos agentes.

[* projeto selecionado no Edital Arte e Patrimônio/2009 – organizado pelo Ministério da Cultura e o IPHAN]