instalação
campo de convergência, estruturação simétrica, poda geométrica, fonte, som metálico, fone de ouvido, âmbito de controle, agente–desencadeador, pátio abandonado, espaço de negociação, diretora de museu, cabo de aço, tubo de acrílico, microfone unidirecional, anel metálico, água, transmissão, legado de pintor, tripé, fotografia, arte moderna, escultura, monitor de tela plana, expressão popular, equivalências
Museu de Belas Artes/ Museu Julio Romero de Torres/ Córdoba/ Espanha
o museu pensado como lugar voltado à seleção, à organização, e ao conhecimento, caracteriza-se a princípio como um espaço reservado à investigação e ao aprendizado; um espaço onde as ações costumam estar plasmadas nos objetos exibidos em seu interior. a natureza do pátio, por sua vez, está relacionada à idéia do encontro e da manifestação do tempo social, real, onde não há, em geral, o controle de ações ou comportamentos.
o pátio localizado entre o Museu de Belas Artes e o Museu Julio Romero de Torres, informa-nos entretanto como um certo regramento sinalizado desde o interior das duas instituições, também interfere na espacialidade ao redor. dimensão presente tanto na disposição simétrica dos canteiros e na poda geométrica de seus arbustos e árvores frutíferas, quanto na uniformização das cores das fachadas desses dois museus que o conformam.
intitulado las cosas son como son, o trabalho pensado para ocupar pátios e dependências do Museu de Belas Artes e do Museu Julio Romero de Torres [este instalado na antiga residência do pintor cordobês], foi definido a partir de três ações:
– a captação sonora de um intermitente ruído metálico provocado pelo esguicho de água localizado no topo da fonte construída no primeiro pátio [aberto ao público]; o registro em vídeo de imagens provenientes de um segundo pátio [o antigo jardim utilizado por Julio Romero de Torres para trabalhar e receber seus convidados – situado ao fundo do Museu de Bellas Artes e vetado ao público]; e a transmissão desses sons e imagens para o interior de algumas salas expositivas do dois Museus.
a captação sonora decorreu da instalação de um microfone cilíndrico unidirecional sobre a fonte central, presente no primeiro pátio. através de finos cabos de aço presos às fachadas internas do pátio,
o microfone pende a uma pouca distância do jorro, e transmite o som das batidas do anel metálico – que se soltou com o tempo – localizado na base do pequeno tubo responsável pelo direcionamento da água.
as imagens, por sua vez, foram captadas por um grupo de nove câmeras de vídeo colocadas em distintos pontos do segundo pátio [abandonado e não acessível]. o posicionamento das câmeras estava relacionado, mas não unicamente, às cenas retratadas por Julio Romero de Torres em pinturas
e fotografias expostas nos Museus.
quanto à transmissão, esta se completou com a instalação de nove monitores de superfície plana [enviando sons e imagens ao vivo provenientes do pátio fechado ao público], e quatro fones de ouvido [somente dois monitores estão acompanhados do som], em diferentes pontos dos dois Museus e no corredor de acesso ao pátio principal [que o conecta à Plaza del Potro]. de distintos tamanhos, os monitores colocados dentro dos espaços expositivos, estavam dispostos ao lado de fotografias ou pinturas cujas cenas de alguma maneira compartiam.
las cosas son como son instalou assim como uma espécie de articulador entre lugares, ou superfícies visíveis… buscando incidir sobre processos de legitimação, e a idéia de lugar representado ou construído.