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corpo-casa, escada, luz natural, piso bicolor de madeira, espaço vazio, tinta automotiva, porta de madeira, espelho plano, ilusão de ótica, madeira, objeto infinito, vão, espelho convexo, anel de borracha, fibra óptica, vinil adesivo jateado, deslocação, tinta refletiva, camera obscura, imagem invertida, ferro, aço inox, campo luminoso, instância condicionada, região central da cidade, agente–ativador
galeria Casa Triângulo/ São Paulo
havia anos a espacialidade e as características da primeira sede da Casa Triângulo motivavam projeções quanto a um hipotético trabalho a ser ali exposto. eu não possuía qualquer vínculo profissional com a galeria, mas exercitava a possibilidade de ações em espaço tão peculiar. o fato de este não estar configurado como um cubo branco e trazer reminiscências de seu uso anterior – uma residência com diferentes cômodos e ligações – acentuava a decisão de ocupá-lo. tempos depois, ao dar início à relação com a galeria, essas reflexões foram reativadas… e, através da exposição de um conjunto de instalações, criada uma correspondência tangível entre as especificidades do lugar e a natureza de certos trabalhos: uma justaposta analogia corpo-casa (dependências)/corpo-obra (as várias ações).
entendidas como básculas, e pintadas com tinta preta altamente brilhante, duas das antigas portas retiradas do espaço voltaram aos seus postos transformadas em ‘espelhos negros’; um pequeno furo feito na parede do fundo de uma das salas, ao lado da janela, recebeu um cabo de fibra óptica para captar e transmitir a luz solar para dentro do local; a abertura existente entre dois outros ambientes recebeu vidros espelhados em toda sua espessura; duas das paredes da sala de esquina, cobertas com tinta usada na demarcação de autopistas, converteram o lugar em uma camera obscura – reproduzindo por reflexão ininterruptas cenas transcorridas no Largo do Arouche [espaço externo à galeria].