Skip to content

visible [2005]

ação urbana

área de restrição, situação em trânsito, barreira, instância de controle, agente–desencadeador, dobraduras, território, palavra, condição polarizada, curadoria, espaço de negociação, dinâmica de significação, agente–articulador, 10.000 pins, cartão impresso, bolsa plástica, rede social, esferas de invisibilização, diretoria, bolsa de pano, coletivo, conversas, ponto de encontro, intersecções, agente–ativador

inSite
ruas das Cidades
Tijuana e San Diego/ México e Estados Unidos da América

a natureza de certos fluxos e narrativas construídas na borda dos mapas geopolíticos do México e dos Estados Unidos da América do Norte, principalmente a resultante do contato entre duas estruturas culturais e econômicas tão distintas e interdependentes, se apresentou como lastro e paisagem de interesse para minha proposta de ação.    em um plano mais aproximado, as intenções do projeto focaram os graus de correspondência existentes entre a ocorrência de sistemas ‘silenciosos’ ou ‘não anunciados’, e os mecanismos de ativação e conformação de lugares.    um contexto possível de ser compreendido no terreno das relações sociais, mas passível de ser percebido somente no campo da imagem.

intitulado visible [palavra com o mesmo significado e a mesma grafia tanto em inglês quanto em espanhol], o projeto propôs a visualização, ou construção, de uma outra dimensão territorial nos fluxos que permeiam a região de San Diego e Tijuana.    intermediada por uma rede de agentes/operadores, a proposta surgiu não com o propósito de reivindicar ou qualificar certa visibilidade, ou providenciar uma imagem a priori de um possível conjunto, mas de acionar um ‘dispositivo territorial’ capaz de convocar distintos grupos sociais para a experiência do encontro, manifesto nas relações cotidianas.    a ação consistiu na criação de um sinal [com uma palavra], a ser inscrito no interior de determinados fluxos fronteiriços com o propósito de revelar ou delinear a presença de outras tantas narrativas e sistemas existentes, não tão visíveis.    o sinal apontou para a delicada ligação existente entre proposições artísticas projetadas para o campo das relações sociais e a identificação destas com as manifestações cotidianas das quais procuram se aproximar.

o trabalho considerou inicialmente a distribuição gratuita de 10.000 bottons confeccionados com a palavra visible.    pensadas para propagar ou irromper determinado processo, as peças estavam indelevelmente associadas ao desencadeamento e eventual manutenção da ação, relacionando a deflagração do território a um tipo de inscrição – de quem passa a portar o ‘bottom/palavra’, e à transformação desse usuário em agente portador de certa ‘visibilidade’.

na primeira etapa do projeto, as pessoas brindadas com a peça – ainda na condição de usuários, apresentavam uma adesão de caráter restrito (condição essa que necessariamente se modificaria com o consequente uso/propagação da imagem).    após essa rodada de distribuição gratuita, a aquisição dos artigos foi feita mediante pagamento, permitindo percebermos melhor o real interesse por uma adesão irrestrita e garantindo o aporte necessário para a manutenção do projeto (uma vez que o valor de cada venda correspondia ao dobro do da produção de uma nova peça, mantendo também o grupo responsável pela sequência do trabalho).
   o sinal passou então a permear e evidenciar outros fluxos e narrativas, em um processo acionado exclusivamente pelo movimento de seus agentes.    após a primeira rodada de distribuição, toda a difusão e posterior venda dos artigos esteve a cargo de um grupo de artistas local.    seu papel foi fundamental para o projeto e deve ser entendido como igualmente constitutivo do trabalho.    além de providenciar os links necessários entre o material distribuído e a ocorrência de outras narrativas sociais, o grupo foi responsável pela manutenção das propriedades do projeto durante o tempo de sua propagação – superior ao período de duração do inSite.

para auxiliar a tarefa de difusão e manutenção do projeto, também foi criada uma página na rede virtual.    ela organizou as bases da ação, ofereceu os arquivos para a livre produção de novas peças, e orientou os interessados na compra das peças [aspecto importante para a continuidade da ação], dispostas em 9 estabelecimentos nas duas cidades.

não havia garantias quanto à extensão do projeto.    sua natureza efêmera trazia como propulsão um certo risco;   mas não um risco pertencente à ordem da ação, e sim o relacionado à apropriação por parte dos usuários.    o projeto resultou então em uma espécie ‘acontecimento silencioso’, responsável por provocar e propor a visualidade de outros possíveis fluxos e agentes futuros.