intervalo/ videoinstalação
dimensão contemplativa, patrimônio histórico, espaço de precipitação, luz natural, duração, estrutura instável, escada de ferro em espiral, advogado, guarda-corpo metálico, espaço de negociação, psicóloga, cabo de aço, engate de ferro, madeira, corda, bombeiro, agente–articulador, contrapeso, tijolo, cidade, tráfego aéreo, helicóptero, sistema de som, monitor de tela plana, painel de madeira, convite, agente–ativador
Projeto Octógono
Pinacoteca do Estado/
São Paulo
o trabalho foi pensado para ocupar a parte central do edifício da Pinacoteca do Estado de São Paulo [Projeto Octógono], e dar sequência a uma pesquisa relativa às correspondências existentes entre os processos de constituição de espaços, e a maneira como, mesmo involuntariamente, ativamos o contexto ao redor, ou contribuímos para a manutenção de seus conteúdos. a intenção foi instalar um corpo instável dentro da estrutura estável do Museu, e propor um ambiente cuja experiência pudesse nos remeter a algo pendente, sob impedimento temporário, ou propusesse um momento de dúvida ou incerteza.
articulada em duas partes, deslocadas em relação ao centro do espaço, a instalação ‘convocou’ uma espécie de vazio na parte mais visível do edifício. ela previu a construção de uma estrutura pênsil feita em corda e madeira [semelhante às usadas por praticantes de arvorismo contemplativo], e um guarda-corpo de ferro, ambos no ‘segundo andar’ do espaço; além da exibição de um vídeo em loop, montado em um painel autoportante e apresentado em um nicho existente no piso térreo. em decorrência do deslocamento espacial proposto, mencionado acima, a primeira imagem ‘oferecida’ aos visitantes a caminho do Octógono, era a de um lugar aparentemente ‘vazio’, ou em estado de suspensão.
o livre acesso ao ‘segundo andar’ do Octógono [área antes restrita somente aos funcionários da Pinacoteca] foi facilitado por uma pré-existente escada metálica em caracol, localizada no primeiro andar. isso permitiu ao público alcançar o elemento suspenso [tensionado através do espaço a uma altura de 12 metros], caminhar sobre ele, e a considerar as circunstâncias do próprio corpo na relação com o ‘equilibrado’ ambiente do museu.
captado a partir de um helicóptero, o vídeo registra em plano sequência uma longuíssima tomada aérea da cidade de São Paulo, e traz como estrutura sonora o vento a bater no microfone. com a câmera apontada para o chão, sem oferecer horizontes ou perspectivas, as imagens guardam um percurso em linha reta no sentido norte–sul, conectando a Serra da Cantareira ao extremo sul do município, próximo à divisa com São Vicente. navegando no complexo espaço aéreo da metrópole, o voo transcorreu em uma mesma altitude e velocidade ao longo de todo o trajeto – de aproximadamente 45 quilômetros.
contemplação suspensa propõe uma reflexão quanto às implicações relacionadas aos processos de constituição de espaços, onde uma eventual ação [expressa na possível transformação de uma estrutura dada] e a concomitante incapacidade em realizá-la [sugerida com o registro em video de um transcurso inócuo e distanciado em relação ao ambiente urbano], se apresentam como aspectos chaves para comentarmos a ambígua condição do habitante das metrópoles.